segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Jovens do município buscam oportunidade na arte de tocar e cantar

Por Amanda Alves

“Não tem o que fazer” se tornou uma frase feita que preenche o vazio dos fins de semana em Governador Celso Ramos. Próximo aos sábados e domingos, os jovens revivem o dilema da falta de opções de lazer na cidade, que tem as festas sazonais de igreja como os principais eventos. Poucas, para quem tem muita energia e vontade pra se divertir. Neste marasmo, como muitos classificam, alguns jovens se juntam para movimentar a comunidade e fazer barulho, nem que os sons cheguem somente aos vizinhos.
Para quem nunca ouviu, no município há aos menos seis bandas formadas fazendo música em algum quartinho ou garagem de casa. Elas têm pouca idade, entre seis meses e dois anos, algumas fizeram apresentações, outras não. Mas aos poucos, vão dando os primeiros acordes e cantando as primeiras letras. De mansinho, Alta Pressão, Malha Se7e, Novo Styllu e Patamar Nove balançam a estrutura pacata de uma cidade que, por enquanto, só lhes oferece a brisa do mar para embalar. Na vida desses 20 jovens músicos, de diferentes bairros do município e outras cidades, o que os impulsiona mesmo a pegar a onda da música é a vontade de se sustentar da arte.

BANDA MALHA SE7E


Por Amanda Alves

Foi de conversas e momentos de lazer à beira do mar nos bairros de Ganchos do Meio e Costeira da Armação, onde viviam desde crianças, que os amigos Eduardo Ferreira, 31, e Evandro Pontes, 23, tiveram a idéia de formar uma banda. Baterista e vocalista, respectivamente, eles têm como marco de início do grupo a apresentação no bar Exotics, em Palmas, há um ano e meio. Os colegas Guilherme Ventura, 18, baixista, Ricardo Gonçalves, 22, guitarrista solo, e Thiago Rosa, 23, da percussão, completam o grupo, intitulado Malha Se7e para lembrar a origem dos músicos. “Queríamos achar um nome para homenagear o município e a malha é uma rede muito usada pelos pescadores daqui”, diz Eduardo. O vocalista Evandro, que ainda toca guitarra, explica a função da ferramenta de trabalho para dar significado: “a malha sete é um tipo de rede usada para pegar peixes maiores, grados e dessa forma queremos que o grupo renda bons frutos”.
Em pouco tempo de formação, algumas das conquistas da Malha Se7e são as apresentações na festa Caldeirada do Golfinho, Clube Pescador e outros eventos particulares. A banda tem três músicas compostas: “Brisa do Norte”, “Floripa” e “Primeira Vez”, e diz que pretende gravá-las assim que as apresentações lhe renderem um pouco mais financeiramente. O valor dos cachês ainda não refletem a energia dispensada das bandas.
Eduardo, da Malha Se7e, reivindica do governo municipal um encontro para encontro das bandas do município para incentivar os jovens músicos e apresentar os trabalhos à comunidade. “A prefeitura poderia promover um festival para unir a galera, oferecer aulas de música para ensinar a arte e ocupar a mente dos jovens.”

BANDA NOVO STYLLU


Por Amanda Alves

No grupo Novo Styllu, o projeto de gravar um CD Demo vai além da viabilidade financeira, depende dos seus integrantes, que tem métodos próprios de criação. Em início de carreira, as experimentações são rotina. “Estava um dia dirigindo no trabalho e veio uma ideia, tive que parar e escrever porque se não iria fugir”, lembra o vocalista Renan Ocker, 22, que encontrou apenas a tela do celular para registrar seus pensamentos. “Surfista Pescador” é uma das cinco músicas desenvolvidas por ele em conjunto com Rudi dos Santos, 25, o baterista. Ao estilo Bob Marley, eles incorporaram o reggae à música, e apresentam uma das influências.
O outro lado do disco é o rock, como se percebe durante o ensaio numa tarde de domingo na Fazenda da Armação. Músicas de Charlie Brown Jr repetem aos ouvidos de Renan e Rudi e dos demais componentes da Novo Styllu: o baixista Felipe dos Santos, 25, o guitarrista Willian Gonçalves, 25, Rafael Ocker, que dedilha ao violão, e o mais recente integrante, o santista Thiago Alves, 23, que toca guitarra solo.
De todas as influências, no entanto, a das marés é mais forte. Ela chega como brisa à sacada do estúdio improvisado da Novo Styllu, e aos poucos substitui o repertório pronto. Entre a tarefa de “tirar música” (aprender a tocar) de outras bandas e as apresentações covers que agitam o público, os jovens músicos criam seu estilo. No caso de “Surfista Pescador”, o cenário de fundo é a Praia Grande, lugar que abriga o trabalho mais popular da cidade: a pesca.
“A música é um vício”, afirma Rudi, da Novo Styllu. Para alimentar essa obsessão, ele e o restante do grupo se comprometem a não faltar aos ensaios. Um ou outro chega atrasado, como num domingo, quando o guitarrista Willian teve que ser chamado em casa. Mas, não faltam. “Compromisso e vontade são os pré-requisitos para entrar na banda”, eles acordam. A união saudável em torno da música é vista por eles, como uma opção aos que estão seguindo caminhos errôneos. As drogas são um grande problema apontado pelas bandas, que está atingindo as famílias de Governador Celso Ramos.
O uso indiscriminado de drogas tem levantado uma questão pouco discutida: Como prevenir? A situação destas famílias na cidade e iminente a tantas outras é uma triste realidade que deve ser encarada.

CANTOR JULIANO


Por Amanda Alves

Ser pescador é um ofício que faz parte da cultura de Governador Celso Ramos e passado de pai para filho. E por isso, facilmente encontrado no trabalho das bandas. Entre pescadores e músicos, os solos de guitarra, as paletas e as músicas, registram a origem da comunidade. Mas, viver de música ainda é um sonho para esses jovens, que veem a falta de incentivo como maior obstáculo.
Em Canto dos Ganchos, Juliano iniciou suas primeiras experimentações no universo musical aos nove anos. Foi na igreja, por meio dos grupos musicais. Desde então, buscou aprender ouvindo, lendo e com outros músicos que se apresentavam no município. “Sou autodidata, aprendi quase tudo sozinho, somente os instrumentos de sopro que tive algumas aulas.” Juliano toca violão, guitarra, baixo, percussão, bateria, e instrumentos de sopro, como bombardino, trompete e trombone.
Há oito anos atua como cantor profissional e diz que consegue se manter da música. Mas, até chegar nesse estágio, demorou. “É difícil viver de música no Brasil, e graças a Deus, família e amigos, toda dedicação tem tido resultado, e consegui sucesso na profissão.”
Para tirar da música seu sustento, toca em três bandas diferentes: Perdidos da Noite, Acústico Trio e Comandos em Ação. Até o fechamento da edição, Juliano conta que o mês de agosto estava com agenda lotada e outras apresentações estavam fechadas até fevereiro de 2010. Junto com as bandas, ele percorre bares e casas noturnas do Estado, com foco na Grande Florianópolis, e mais cidade como Criciúma, Joaçaba, Campos Novos e Videira.

BANDA PATAMAR NOVE


Por Amanda Alves

Também em Canto dos Ganchos, uma nova banda surge e imprime um perfil diferente ao adotar letras próprias. O vocalista Izaq Melo, 20, diz que a banda formada com o baixista Leo Nascimento, 16, o bateirista Ruan dos Santos, 18, a backing vocal Mariane Ferreira e o guitarrista Douglas (conhecido como Bodão), nutre o sonho de se tornar profissional. “Queremos que nossa banda seja a melhor do Brasil, tem que ter motivação, pensamento positivo.”
Batizada de Patamar Nove, por remeter à passagem de ônibus da linha Governador – Florianópolis, a banda lembra a realidade difícil de quem faz o trajeto diariamente na busca de novos caminhos. Concebida em fevereiro deste ano, o grupo tem por política tocar essencialmente composições da banda. Em uma primeira apresentação, planejada até final do ano, o grupo pretende apresentar 13 das 20 músicas já compostas. “As opiniões de que não vai dar em nada, não vai dar certo, já temos, o que precisamos é de incentivo”, posiciona Izaq.

domingo, 2 de agosto de 2009

BANDA ALTHA PRESSÃO


Por Cristiane Toschi

Formada há um ano e meio a Banda Altha Pressão, que tem como músicos o baterista Andre Philippe, 22 anos, baixista e vocalista Marcus Marques,16 anos, o violinista Carlos André ,16 anos, a guitarrista Franciel Rosa, 16 anos, a percussionista Marimar, 12 anos e a backing vocal Bianca, toca músicas covers. O sugestivo nome da banda se deu pelo estilo musical adotado no início da formação que tocava rock pesado como o metal. Hoje em dia tocam pop, rock e reggae. O Altha Pressão já se apresentou em diversos eventos no município e na cidade de Biguaçu. A última apresentação foi no 1ª Encontro de Motoqueiros de Governador Celso Ramos.
“No começo era pra descontrair, mas depois a gente viu que tava dando certo, passamos a nos dedicar mais e tocar pra seguir carreira”, comenta Marcus. O grupo acredita que esta ocupação os faz seguir um caminho melhor. “O maior problema dos jovens de hoje é a falta de ocupação porque não existem boas opções de lazer. E os que não estudam, acabam caindo no mundo das drogas, da bebida. Os jovens precisam estudar música ou outra arte, algo que gostem realmente de fazer”, completa.
Contato com a banda: quinhopalmas@hotmail.com ou 9107-9583.

BANDA ZANGAREJO

Por Cristiane Toschi

Do dicionário do manézinho ZANGAREJO é um equipamento utilizado para pescar lulas, o mesmo que zangarilho. A banda, formada pelo tecladista Junior, 17 anos; guitarrista, violista, gaitista e vocalista Gil Marcos, 20 anos; baixista Gabriel Pereira, 17; violista e vocalista Luiz Felipe, 19; e baterista e percussionista Rafael Silveira, 20; escolheu este nome por admirarem e vivenciam o dia-a-dia do “Mané”.
O grupo toca junto há muito tempo, mas a banda se firmou há cinco meses. Músicas próprias que retratam o sentimento e a paixão do grupo por Santa Catarina são compostas por Luiz Felipe e Gil. Alguns covers de bandas consagradas como Dazaranha, John Bala Jones, Natiruts, Chimarruts e Bob Marley and The Wailers também são tocados. Com o objetivo de divulgar o trabalho do grupo, tocam em diversas festas, bares e eventos. “Somos amigos que formaram uma banda e não uma banda que se tornaram amigos. Contudo tocávamos antes sem pretensão alguma, depois de um tempo, e com o comentário de amigos e o apoio de muitas pessoas, começamos a pensar no lado profissional. Mas antes de tudo tocamos pra descontrair porque é o que a gente gosta de fazer. Em relação aos jovens, atualmente, o problema é que muitos acham que a vida é uma festa e que é tudo muito fácil. Temos que incentivar as pessoas a evolução, mostrar a elas que as drogas e tudo mais em excesso só tende a piorar a vida das próprias”, reflete o grupo.
Contatos com a banda: 8404-2502 Kleytton (contato para show) zangarejo@gmail.com, www.twitter.com/zangarejo (Noticias e agenda da Banda), www.youtube.com/zangarejo (vídeos da banda)